Bartrimonnio sem fronteiras: Belo Horizonte na mira (e no copo)

Se tem uma coisa que o Bartrimonnio Carioca sabe fazer bem é arrumar desculpa pra viajar. Dessa vez a desculpa tinha nome, sobrenome e sotaque mineiro. Uma turma animada saiu do RJ rumo a Belo Horizonte, sob a batuta do Mosquito, belo-horizontino de origem e tijucano por adoção (ou seja, o guia perfeito: conhece os caminhos e também os atalhos etílicos).

Dia 01 começou já mostrando a que veio: parada no tradicionalíssimo Bar do Bola, lá no bairro Padre Eustáquio. Um clássico com mais de 60 anos, daqueles que ostentam com orgulho a plaquinha “Bares com Alma”, tipo um patrimônio afetivo da cidade. E com razão: a estufa era um convite ao exagero. A almôndega, suculenta de fazer respeito, e a famosa “prexeca” (sim, o nome é esse mesmo, e não decepciona) arrancaram elogios e risadas na mesma medida.

Pra fechar a noite, descemos, ou subimos (no meio de tanta ladeira em BH a gente se perde) pro subsolo/térreo do Mercado Novo, onde o chope encontrou companhia nas fermentações caprichadas do Lambe Lambe. E ali já dava pra perceber que ninguém estava economizando experiência.

Dia 02 começou mais comportado, com café da manhã no Copa Cozinha Savassi e uma passada turística pela Praça da Liberdade, só pra manter a dignidade antes dos trabalhos alcoólicos. 

Logo depois, o bairro de Santa Tereza nos recebeu de braços abertos (e copos cheios). A ideia era parar no Mercadinho Bicalho, aquele clássico “era armazém e virou boteco”, bem no estilo raiz que o grupo respeita. Mas estava lotado e como todo bom botequeiro sabe, imprevisto é só oportunidade disfarçada. Resultado: parada estratégica no vizinho Santa Boemia pra provar o petisco do Comida di Buteco.

Na sequência, caminhada pelo bairro com direito a momento quase solene na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, berço do Clube da Esquina. Ali, mais que álcool, rolou música na alma.

E então veio um dos pontos altos da viagem: o Bar do Orlando, o mais antigo de BH, firme no mesmo endereço desde 1919. E não é que demos de cara com o próprio Sr. Orlando? Figura histórica… embora num estado etílico que não favoreceu grandes entrevistas. Mas sejamos justos: dono de bar que não consome o próprio produto merece desconfiança. Esse, definitivamente, não é o caso dele.

Descobrimos que o bar, antes de ser rebatizado com o nome do atual proprietário, já se chamou Bar dos Pescadores e não é história de pescador: quando o Ribeirão Arrudas ainda tinha peixe, a turma levava o pescado pra preparar ali mesmo.

Ficou no ar também um mistério: o verde e rosa do bar. Seria homenagem à Estação Primeira de Mangueira do Rio de Janeiro? Coincidência? Mudança ao longo do tempo? A investigação ficou para a próxima expedição (com o Sr. Orlando em melhores condições de depoimento, esperamos).

O dia terminou em grande estilo na Rua Sapucaí, no bairro Floresta, com direito a pôr do sol, bons copos e aquela sensação de missão sendo cumprida com louvor.

Dia 03, já com uma certa saudade antecipada, foi dedicado ao Mercado Central e ao Mercado Novo: petiscos, bebidas e as indispensáveis lembranças, porque ninguém volta de BH de mãos vazias (nem de histórias).

No fim das contas, foi mais que uma viagem: foi uma conquista. O Bartrimonnio Carioca mais uma vez atravessou fronteiras, ampliou horizontes e, claro, manteve o nível etílico-cultural lá em cima.

Que venham os próximos destinos, porque sede de descoberta não falta.







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