Bar do Momo: comer, beber, trocar ideia… e viver o botequim carioca

A mais recente parada do Bartrimonnio Carioca nos levou ao tradicional Bar do Momo, na Tijuca, onde fomos recebidos pelo proprietário Toninho, figura que traduz muito do espírito botequeiro carioca: humildade, proximidade e respeito por todos que cruzam a porta (ou ocupam as calçadas) do seu estabelecimento.

Logo de início, Toninho fez questão de deixar claro um princípio que carrega consigo: todos os clientes têm importância. Do frequentador que entra apenas para comprar um cigarro avulso até quem consome em abundância, cada pessoa ajuda a manter o bar vivo. Talvez seja justamente essa visão que explique por que o Momo cresce a cada ano, avançando loja após loja e ficando perto de dominar a esquina da Rua Uruguai com a Rua General Espírito Santo Cardoso.

À mesa, o espetáculo veio em forma de petiscos. O tradicional bolovo de bacalhau mostrou por que virou marca registrada da casa. Vieram também os saborosos bolinhos de arroz e o impressionante Farol de Milha: carne assada mergulhada em molho, purê de mandioca e um ovo frito coroando tudo, daqueles pratos que exigem pão na mesa para não desperdiçar nenhuma gota do caldo.

Mas visitar o Momo é também visitar a história do Rio.

Toninho relembrou com orgulho o reconhecimento recebido em 2022, quando o bar completou 50 anos e foi agraciado com o título de Patrimônio Cultural Carioca. Honraria merecida para um estabelecimento que ajuda a preservar uma das maiores riquezas da cidade: a cultura dos bares e botequins. Mesa na calçada, conversa com o dono, histórias compartilhadas entre desconhecidos… isso também é patrimônio do Rio de Janeiro.

Fundado em 1972 por Abraão Reis, um Rei Momo do carnaval carioca, o bar passou por alguns proprietários até ser adquirido em 1986 por Tonhão, pai do atual gestor. Toninho tinha então apenas seis anos de idade, mas já frequentava o ambiente para acompanhar o pai. Como ele próprio resumiu: quem quer ficar perto do pai comerciante acaba acompanhando o pai no trabalho.

Foi ali, ainda menino, ouvindo os frequentadores mais antigos, homens que haviam nascido nas décadas de 1910 e 1920, que absorveu histórias, expressões e modos de falar de outro tempo. Aprendeu termos do futebol de antigamente, quando zagueiro era chamado de central back (aportuguesado para beque central), e os meias eram center half ou center forward. O botequim como escola da vida, da memória e da cultura popular.

Hoje, o Momo permanece um negócio familiar. Trabalham juntos Toninho, sua mãe, irmã e tias, mantendo vivo um legado construído geração após geração. E Toninho faz questão de ouvir críticas, elogios e sugestões, porque entende que um bar tradicional não se sustenta apenas pela história, mas pela capacidade de continuar acolhendo.

Também houve conversa sobre culinária, especialmente a tradição dos pratos ensopados que influenciam tanto a cozinha mineira quanto a carioca. Até porque botequim é isso: comida, história e identidade servidas no mesmo prato.

Ao fim da visita, ficou a sensação de que o Bar do Momo oferece algo maior do que comida ou bebida. Oferece convivência.

Comer, beber, trocar ideia e se relacionar com as pessoas. "Venha ao Momo pra viver", frase do dono.

Mais uma visita do Bartrimonnio Carioca em que saímos alimentados, não apenas pelo estômago, mas também pelas histórias.




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