Bar Divino - a jóia da Jovem Guarda (quase) esquecida
O grupo fez uma visita fora do calendário oficial,
aproveitando a presença do designer criador da logomarca do projeto no Rio de
Janeiro. Foi uma boa oportunidade para agradecer pelo seu brilhante trabalho e
para dar uma bronca por causa do NN 😄.
Sendo uma visita fora do calendário oficial (bares do circuito botequins), optou-se por não "queimar" um
bar desta lista e sim combinar o encontro em algum catalogado em outro
circuito. Então foi escolhido o Bar Divino, do circuito música, localizado
entre a Tijuca e o Rio Comprido. Para quem não conhece a divisão por circuitos, já foi
abordado em Os parabéns à Prefeitura do Rio de Janeiro (mas com um leve puxão de orelha).
Sabe-se que o Bar Divino foi um ponto de encontro icônico
para os jovens da Zona Norte carioca entre o final dos anos 1950 e meados dos
anos 1960. Próximo ao antigo Cine Madrid (também Patrimônio Cultural Carioca -
Circuito dos Cinemas), facilitava encontros casuais e paqueras após as sessões.
Entre os frequentadores assíduos do Bar Divino estavam futuros ícones da música
brasileira, como Tim Maia, Erasmo Carlos, Jorge Ben Jor e Roberto Carlos, os
jovens músicos da "Turma do Matoso".
Ainda nas pesquisas prévias à visita, percebeu-se que o
endereço atual, embora muito próximo, não é o mesmo que consta no cadastro de
Patrimônio Histórico da Prefeitura. Pairou então uma dúvida sobre a relação do
Bar Divino atual com o Bar Divino da época. Seria o mesmo bar com uma mudança
de endereço ou alguém teria aberto outro bar perto e aproveitado o nome do
antigo? Como não se chegou a uma conclusão nas pesquisas, decidiu-se que o tema
seria explorado "em campo" durante a visita.
Tentou-se realizar reserva de mesa, mas sem sucesso. Não foi
localizado telefone do estabelecimento e as tentativas de contato por Instagram
não foram respondidas. Porém, a falta de reserva de mesa não gerou maiores
transtornos, o bar não estava cheio e o grupo foi facilmente alocado num local tranquilo e bem
ventilado.
Estávamos ávidos por completar a pesquisa de campo, porém
tomamos um banho de água fria. A pessoa que atendeu a mesa, Helô, estava num baita mau-humor, segundo ela porque faltaram diversos funcionários no dia, e
por isso, estava sobrecarregada. Falou que só havia ela e um cozinheiro no bar,
e que por isso, deveríamos ser ágeis nos pedidos. Quanto às perguntas sobre
história do bar, Helô afirmou desconhecer as respostas, que aguardássemos e se
tivéssemos sorte, o proprietário apareceria em algum momento e nos responderia.
Quanto à bebida, a cerveja estava gelada e foi reposta a
contento, a despeito da sobrecarga de trabalho da Helô. Quanto aos petiscos,
havia no cardápio um chamado "petisco divino", que seria o
carro-chefe da casa e obviamente nos interessou. Mas estava em falta no dia.
Petiscamos então gurjão de frango e carne de sol com aipim, ambos sem nenhum
diferencial. Os banheiros da casa também não estavam em suas melhores
condições.
Já no fim da visita, chegou o sobrinho e representante do
proprietário, e disse que sim, o bar atual é o mesmo do antigo, mas seu tio,
que é proprietário há cerca de vinte anos, precisou fazer a pequena mudança de
endereço, e ao invés de ocupar as duas lojas originais na Rua Haddock Lobo 170,
atualmente está na Rua Barão de Ubá 560.
No fim das contas, ficou a impressão de que o Bar Divino é
uma jóia mal explorada, uma grande história que merece ser preservada e
contada, porém o proprietário optou por mantê-lo como um boteco do tipo
"pé-sujo". Sendo justos, pesa a seu favor o fato de que sua categoria
como Patrimônio Cultural Carioca é o Circuito Música e não no Circuito Botequins.
Como música, tem uma história que não se apagará, já como botequim, deixa a desejar.
Na saída, passamos também pela placa de patrimônio histórico do Cine Madrid, bem ao lado do Bar Divino.
Presentes (por ordem de chegada):
Lucena, Fatinha Mafra e Mosquito
Diogo, Aline e Hugo Madeira
Ezen (o designer), Isabel e Iolanda
Antonio Velho
Gustavo, Débora e Guigui

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