Os parabéns à Prefeitura do Rio de Janeiro (mas com um leve puxão de orelha)
Assim que as fotos nas plaquinhas viraram o desafio de conhecer todos os bares declarados como Patrimônio Cultural Carioca, a coisa ficou um pouco mais séria. Para virar um Projeto com P maiúsculo, não poderia ficar somente no “a gente marca”. Seria necessário minimamente estabelecer uma lista de locais a serem visitados e algum cronograma.
Daí surgiram as primeiras dificuldades. Qual o tamanho da amostra?
Quantos seriam os bares a serem visitados? Informação nada óbvia de se conseguir. Nas primeiras buscas na internet, e nas redes da Prefeitura do Rio apenas notícias de alguns bares que foram incorporados à lista, mas nada dizendo qual era o tamanho total da lista.
Passou-se a perguntar a diversos serviços de Inteligência Artificial (do tipo chat GPT), e cada um trazia uma informação, vieram várias respostas, desde 9, 16, 25, mas nada conclusivo, cada um apresentava um número. O mais preciso de todos que deu a pista, foi a IA do aplicativo whatsapp, que não trouxe o número, mas nos levou até o site onde finalmente se encontraria a resposta:
PATRIMÔNIO CULTURAL CARIOCA | DATA RIO
Só que a informação continuou não sendo óbvia, primeiro que pelo celular o site não roda adequadamente. Mais tarde, olhando no computador e aplicando alguns filtros nada intuitivos, começou a clarear.
Descobriu-se que a Prefeitura, através do IRPH – Intituto Rio Patrimônio da Humanidade, vem desde os anos 1990 identificando bens históricos da cidade, organizando por temas (circuitos), afixando as placas informativas. A informação mais recente no site mostra que são 277 placas instaladas, distribuídas entre os circuitos águas, art-déco, bossa nova, botequins, choro, cinemas, diversidade religiosa, diversidade sexual, herança africana, igualdade racial, liberdade, Machado de Assis, modernismo, música, negócios tradicionais, nenhum (?), poesia, porto, Praça Tiradentes, rádio, RioFilme, samba, teatro e trem.
Aplicando mais filtros, obteve-se a informação que desse total de 277, o circuito botequins responde por 39 estabelecimentos, portanto agora sim estava inicialmente mapeado o escopo do projeto.
A Prefeitura do Rio merece os parabéns por essa brilhante iniciativa! Valorizar e preservar a rica herança cultural do Rio é essencial para manter viva a história e a identidade de nossa cidade. Este projeto reflete o compromisso com a memória coletiva, a diversidade e o desenvolvimento sustentável, além de promover o sentimento de pertencimento entre os cariocas e atrair a admiração de visitantes do mundo inteiro. Que essa ação inspire ainda mais iniciativas voltadas à cultura e ao patrimônio, fortalecendo o legado do Rio de Janeiro para as futuras gerações.
Porém junto com os parabéns, não pode deixar de dar um leve “puxão de orelhas” ao poder público municipal pelo deficiente tratamento com os dados, desatualizados e muito difíceis de ser encontrados.
Logo na primeira tela do site (que já não é tão fácil de achar), a Prefeitura informa que o conteúdo está em fase de construção (desde os anos 1990???). O conteúdo não está atualizado, é conhecido pelo menos um estabelecimento fechado sem nenhuma menção a isso (Bar Luiz) e pelo menos um que não consta na lista (Pipocas Maná, declarado Patrimônio em 2023). Um morador ou turista que se baseie pelo site corre o risco de se frustrar. Além disso, identificou-se conflitos de classificações. Por exemplo, Angu do Gomes não pertence ao circuito botequins e sim ao circuito negócios tradicionais (como se todos os estabelecimentos declarados patrimônio também não fossem tradicionais), Bar do Tom pertence ao circuito bossa nova, Bip Bip pertence ao circuito samba, entre outros bares incluídos em diversas classificações conflitantes.
Então o projeto Bartrimônio Carioca já nasceu com a ciência de que haverá necessidade de ampliação do escopo, os 39 do circuito botequins não serão suficientes. 😢😢😢
Enfim, essa turma terá que ir ao "sacrifício"!



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