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Bar Opus: onde um olhar pede chope e 58 anos de história chegam à mesa

Depois de uma primeira tentativa adiada pelos ventos do Rio, finalmente chegou o dia de o Bartrimonnio Carioca desembarcar no Bar Opus. E se existe uma palavra que combina com o Opus, talvez seja harmonia. Harmonia entre os frequentadores, que se conhecem e se cumprimentam como velhos amigos. E, principalmente, harmonia entre o cliente e o chope, numa relação tão bem estabelecida que nem é preciso pedir. No Opus, o tirador de chope é o Cabeça. E a chopeira, toda revestida de gelo, já está ali há cerca de 40 anos, testemunhando a história da casa. O ritual é quase telepático: o copo começa a esvaziar, o cliente olha para o Cabeça, o Cabeça olha de volta... e pronto. Um novo chope aparece. Sem pedido, sem aceno, sem aplicativo. Apenas a experiência de quem conhece o balcão. Mas há uma exigência: chope tem que vir perfeito. Nada de bolinha, nada de sujeira. A limpeza é impecável e o cuidado com o serviço é daqueles que explicam por que uma casa consegue atravessar décadas mantendo sua fre...

Casa Clipper — um patrimônio de 80 anos com alma rubro-negra

A visita à Casa Clipper, uma das caçulinhas entre os estabelecimentos reconhecidos como Patrimônio Cultural Carioca, revelou uma curiosa contradição: embora o título seja recente, a casa está longe de ser novata. Fundada em 1945 por imigrantes portugueses, acumula mais de oito décadas de história e faz parte da tradição boêmia do antigo Leblon. Quem chega hoje talvez nem imagine que aquele ambiente de aparência moderna seja um bar octogenário. Não tem exatamente a cara de um boteco dos anos 1940, mas é. E talvez esteja justamente aí uma parte do charme da Casa Clipper: atravessou gerações sem precisar ficar congelada no tempo. A primeira ironia da visita apareceu logo na recepção. Estamos falando de um tradicional reduto de flamenguistas, mas quem nos recebeu foi um botafoguense com nome de goleador: Túlio. E, como entoavam os botafoguenses nos anos 1990, podemos dizer: Túlio Maravilha, nós gostamos de você! Mesmo a contragosto, nosso anfitrião falou sobre a forte identificação da casa...

No Bracarense, o chope veio fácil. As histórias, nem tanto.

A primeira interação do Bartrimonnio Carioca com o Bracarense não poderia ter sido menos promissora.: no contato prévio pelo Instagram, apresentamos o propósito da visita: conhecer um pouco das histórias do bar, entender o que o tornou tão especial e, se possível, conversar alguns minutos com alguém da casa que pudesse compartilhar essas memórias conosco. A resposta veio curta, seca e objetiva: “Não trabalhamos com reservas.” Bom… reserva não era exatamente o que estávamos pedindo. Mas tudo bem. O Bartrimonnio não desiste fácil. Mesmo com esse banho de água fria, mantivemos a visita e, na chegada, encontramos o Bracarense lotado. Foi preciso conquistar território aos poucos: primeiro um espaço no balcão, depois uma mesa bistrô, em pé mesmo na calçada. E, se a recepção institucional não tinha sido das mais calorosas, pelo menos o chope tratou de melhorar o ambiente. E que chope! Os sanduíches de pernil e de carne assada também não deixaram por menos. Impecáveis. Na conversa com alguns f...

Um presente para a história do Pavão Azul

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A mais recente visita do Bartrimonnio Carioca ao tradicional Pavão Azul foi marcada por um momento de grande emoção. O grupo presenteou a proprietária, Dona Beth, com um pôster do filme Love Is a Many-Splendored Thing (Suplício de uma Saudade), produção de 1955 que chegou aos cinemas brasileiros em 1956. É justamente nesse filme que aparece um restaurante chamado Pavão Azul, em Macau, forte indício de que tenha servido de inspiração para o nome do botequim carioca, inaugurado no ano seguinte, em 1957. A reação de Dona Beth foi daquelas que tornam inesquecíveis os encontros do Bartrimonnio Carioca. Emocionada com a lembrança, ela fez questão de providenciar imediatamente um lugar de destaque para o pôster em uma das paredes do bar. Durante toda a noite, convidou clientes e amigos para conhecerem o presente, contando a história e demonstrando, com um sorriso no rosto, o quanto havia ficado feliz com a homenagem. Foi mais um encontro marcado pelo carinho, pela amizade e pelo respeito à me...

Mistério resolvido: a placa do Bar Lagoa existiu, sim!

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Na nossa visita ao Bar Lagoa, um detalhe chamou a atenção: a ausência da tradicional placa azul redonda que identifica os estabelecimentos reconhecidos como Patrimônio Cultural Carioca, conforme relatamos no texto  Bar Lagoa: histórias, chopes e o mistério da placa desaparecida . O mistério aumentou quando nenhum funcionário da casa, nem mesmo os mais antigos, se lembrava de o bar ter exibido essa placa em algum momento. Como o Bar Lagoa recebeu esse reconhecimento por decreto em 2011, há 15 anos, fomos buscar uma resposta junto ao nosso contato no IRPH (Instituto Rio Patrimônio da Humanidade), órgão da Prefeitura responsável pela preservação desse patrimônio. E foi aí que o mistério chegou ao fim. Fabrício Iorio "matou a cobra e mostrou a placa", apresentando registros fotográficos comprovando que a placa foi, de fato, instalada no Bar Lagoa em 2011. Ou seja, a Prefeitura cumpriu seu papel. Em algum momento, provavelmente durante uma reforma ou pintura, a placa foi retirada ...

Bar Urca: muito além da mureta mais famosa do Rio

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Nossa visita ao Bar Urca começou antes mesmo de chegarmos ao botequim. Na tradicional pré-visita do Bartrimonnio Carioca, fizemos uma parada na feira da Praça Tenente Gil Guilherme, uma das boas surpresas do bairro da Urca. Além da excelente feira livre, o local abriga uma animada roda de samba e chorinho que, por si só, já valeria o passeio. Desde o primeiro contato, o Bar Urca mostrou por que é uma referência não apenas na gastronomia, mas também na forma de receber seus visitantes. Ao manifestarmos nosso interesse em conhecer a casa, fomos prontamente recebidos com boas-vindas e orientados a procurar a gerente Camila, que seria nossa anfitriã. Organização exemplar. Já no local, Camila nos recebeu com enorme simpatia e conduziu uma verdadeira aula sobre a história e as particularidades da casa. Conhecemos os dois universos que convivem no mesmo endereço: o bar, no térreo, com seu atendimento simples e eficiente, onde os clientes retiram suas fichas no caixa e atravessam a rua para ap...

Bar do Momo: comer, beber, trocar ideia… e viver o botequim carioca

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A mais recente parada do Bartrimonnio Carioca nos levou ao tradicional Bar do Momo, na Tijuca, onde fomos recebidos pelo proprietário Toninho, figura que traduz muito do espírito botequeiro carioca: humildade, proximidade e respeito por todos que cruzam a porta (ou ocupam as calçadas) do seu estabelecimento. Logo de início, Toninho fez questão de deixar claro um princípio que carrega consigo: todos os clientes têm importância. Do frequentador que entra apenas para comprar um cigarro avulso até quem consome em abundância, cada pessoa ajuda a manter o bar vivo. Talvez seja justamente essa visão que explique por que o Momo cresce a cada ano, avançando loja após loja e ficando perto de dominar a esquina da Rua Uruguai com a Rua General Espírito Santo Cardoso. À mesa, o espetáculo veio em forma de petiscos. O tradicional bolovo de bacalhau mostrou por que virou marca registrada da casa. Vieram também os saborosos bolinhos de arroz e o impressionante Farol de Milha: carne assada mergulhada e...