Da tensão à morcela: Bartrimonnio na Adega Pérola

A Adega Pérola, em Copacabana, fundada em 1957 por três irmãos portugueses, foi o primeiro destino do Bartrimonnio Carioca no sábado. A missão começou tensa: dias antes, ligamos pra reservar mesa, mas a pessoa que nos atendeu, a Beatriz, avisou secamente “aqui não reservamos mesa, e costuma lotar”. O alerta acendeu o sinal amarelo e a dúvida: será que a turma do Bartrimonnio Carioca iria ficar de pé na calçada, com seus copos na mão?

Mas se o atendimento prévio não ajudou, o destino fez sua parte. Apesar de todos os prognósticos contrários, conseguimos uma mesa na calçada, clima perfeito, chopinho trincando e a sensação de que tudo ia fluir. E o belo dia de sol no Rio de Janeiro abrilhantou a visita.

Logo, o trio Romário, David e Júnior entrou em cena no atendimento. E aqui cabe destaque especial: o Júnior, com seus 26 anos de casa, virou “Sênior” pra gente. Simpático, atencioso e cheio de histórias, contou causos dos tempos em que artistas atravessavam da porta do lendário Teatro Opinião direto pra Adega.

E como todo clássico carioca tem boas histórias, a Adega Pérola quase não chegou até aqui. O bar esteve prestes a fechar as portas após o falecimento dos antigos donos e o desinteresse dos herdeiros em seguir com a administração. Foi então que três clientes fiéis, movidos pelo amor à casa e à tradição, resolveram comprar o bar para salvá-lo. A empreitada deu certo: estão na sociedade há 15 anos e continuam frequentadores assíduos, mantendo viva a alma boêmia da Pérola.

Entre os 68 petiscos do balcão, fomos direto no clássico polvo (o mais pedido da casa, segundo o Sênior), e ainda mandamos ver na sardinha à escabeche, bacalhau, rollmops, penne ao frutos do mar, arroz de bacalhau, azeitonas pretas e a maravilhosa morcela — destaque absoluto.

Tudo isso regado a chope gelado, tirado de uma serpentina de 280 metros de puro gelo. Resultado: tarde memorável, com sabor, história e boas risadas no coração de Copacabana.

Na hora da tradicional saideira por conta da casa, o nosso Sênior mostrou mais uma vez por que merece o apelido. Ofertou uma rodada de chope, e que chope! Pulamos do chope Brahma para um chope IPA da Patagonia, excelente e muito superior ao que bebemos antes. Sem querer entrar em polêmicas religiosas ou supostas heresias, mas como vivemos numa cultura cristã, não deu pra não lembrar do famoso milagre bíblico da transformação da água em vinho, quando, segundo a lenda, a melhor bebida foi servida no final, e não no começo. João 2:10 - "Todos servem primeiro o melhor vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, o vinho inferior é servido; mas você guardou o melhor até agora".  Valeu, Sênior!



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