Bar Ocidental: sardinhas, chope e memória viva no Centro do Rio

Depois do Botequim do Joia, o grupo seguiu a pé por algumas quadras até o Bar Ocidental, destino obrigatório de qualquer roteiro etílico-cultural pelo Centro do Rio. Ali nasceu a tradição que hoje consagrou o Beco das Sardinhas, espaço onde o tempo passa mais devagar e o chope, mais rápido.

Entre cervejas e chopes muito bem tirados na clássica chopeira a gelo, não poderia faltar o ritual básico da casa: sardinhas inteiras, bolinhos de sardinha e a indefectível maionese da casa, daqueles acompanhamentos que parecem simples, mas carregam décadas de ajuste fino.

A conversa com seu Jorge foi um capítulo à parte. Firme em seu posto de trabalho, sem arredar o pé, demonstrou um profissionalismo raro e quase comovente. Mesmo com a casa hoje informatizada, ele não abre mão do seu método tradicional de controle: uma tábua de madeira, com retângulos desenhados representando cada mesa numerada. No futebol, seria a prancheta raiz do Joel Santana, aqui aplicada com maestria boêmia.

Entre um pedido e outro, seu Jorge contou um pouco da história da casa e revelou um dado precioso: a hoje lendária sardinha empanada levou seis anos para chegar à fórmula definitiva. De 1956 a 1962, o fundador testou diversas farinhas até alcançar a receita que permanece intacta até hoje. Outra estrela do cardápio é a pescadinha empanada, mas essa no fubá, respeitando tradições e detalhes sutis que fazem toda a diferença.

Vale lembrar que o Bar Ocidental foi o pioneiro nas sardinhas naquele local e depois copiado por outros, formando o hoje conhecido Beco das Sardinhas. Porém hoje só resistem ele próprio e o Rei dos Frangos Marítimos com essa especialidade.  

Jorge também apresentou o Espaço Serjão, uma homenagem a um frequentador ilustre, falecido em 2021, prova de que o Ocidental trata seus clientes não apenas como consumidores, mas como parte da história da casa. Um verdadeiro bar de estimação, no sentido mais bonito da expressão.

Ficou ainda o convite para um retorno do grupo em outra ocasião, desta vez na presença de Luciana, filha do fundador e atual proprietária. Entusiasta da memória do bar, ela promete muitas histórias, desde os tempos em que seu pai e seus tios buscavam as sardinhas no velho fusquinha apelidado carinhosamente de Chupetinha. 

Luciana não estava presente nesta visita, mas já deixou o clima de reencontro armado.

Assim, entre sardinhas impecáveis e chopes bem tirados, foi encerrada a noite no Ocidental com a certeza de que alguns lugares não apenas resistem ao tempo, mas ajudam a explicá-lo.



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