Pavão Azul – A jornada AB/DB: Antes da Beth e Depois da Beth

Segunda parada do Bartrimonnio Carioca no dia: o lendário Pavão Azul, também fundado em 1957, coincidência boa com a Adega Pérola. E, pra manter a tradição, também começou com tensão: a tentativa de contato via Instagram pra reservar mesa foi solenemente ignorada.

Mesmo assim, seguimos firmes. Partimos da Pérola direto pro Pavão (o original, já que a marca domina a esquina com mais três casas). O Juca nos recebeu bem, primeiro numa mesinha na calçada, depois nos transferiu pra uma mesa maior lá dentro. Tudo fluindo… mas ainda sem aquele tempero que o Bartrimonnio sempre vai atrás: boas histórias.

Entre uma patanisca de bacalhau (famosa com justiça) e um frango à passarinho caprichado, sondamos os garçons pra descobrir quem era o veterano da casa, missão difícil. Citaram Joaquim e Berg, mas o papo não engrenou. Pagamos a conta achando que a visita ficaria apenas na boa comida e no chope.

Mesmo sem conseguir arrancar histórias da equipe, a simpatia do pessoal compensou tudo. Na hora da tradicional foto do grupo na placa de patrimônio, veio o desafio: como a placa fica no alto, o ângulo pra foto não ajudava. Mas o espírito do Pavão se impôs, os garçons tentaram desaparafusar a placa da parede pra facilitar o clique, até nos deixaram tentar também! No fim, ninguém venceu o parafuso teimoso, e a foto saiu ali mesmo, com risadas e boa vontade de sobra.

Mas o destino do Bartrimonnio não aceita roteiro morno. Quando já estávamos indo embora, um grupo de frequentadores nos alertou: “esperem a Dona Beth chegar!”

E que sorte termos esperado. Demos um pulinho no Pura Chama, ali na outra esquina, pra ver um joguinho de futebol (bem ruim) na TV, e voltamos depois, e foi aí que tudo mudou.

A visita ao Pavão Azul passou a se dividir em duas eras: AB e DB: Antes da Beth e Depois da Beth.

A Dona Beth Afonso, portuguesa que veio pro Brasil com apenas 2 anos de idade, é a alma do Pavão. Única mulher empreendedora de toda a jornada do Bartrimonnio até o momento, conduz o bar com simpatia, energia e amor visível. Toca o negócio ao lado da irmã Vera Afonso e do sobrinho Sérgio Afonso, há mais de 40 anos.

Fez questão de nos servir pessoalmente: repetimos a patanisca, provamos pastéis incríveis e fechamos com um suspiro que fez jus ao nome. De quebra, nos levou até o Pavão Black, outro bar seu ali na vizinhança, apresentando clientes e compartilhando histórias, todos unânimes em exaltar o legado e o carisma dela.

Conversando com Dona Beth, ficamos sabendo também da grande virada na história recente do Pavão Azul. Ela contou que o bar ganhou projeção e fila na porta depois que o jornalista Juarez Becoza, cronista de botequins, pesquisador e verdadeiro guia de turismo etílico-gastronômico do Rio, começou a publicar textos sobre o Pavão em sua coluna. Desde então, o movimento cresceu e o Pavão virou parada obrigatória de quem quer sentir o sabor e o espírito do Rio autêntico.

O único mistério que ficou no ar foi a origem do nome “Pavão Azul”. Isso ainda exige investigação do Bartrimonnio, afinal nosso lema é "desvendando segredos".

Resumo da ópera (ou melhor, do boteco): a visita DB foi uma aula de história, afeto e boa comida, um verdadeiro clássico carioca.




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