Das Pipocas ao Chope Gelado: a visita do Bartrimônnio Carioca no Amarelinho

A visita do Bartrimônnio Carioca ao tradicional Amarelinho da Cinelândia começou, curiosamente, fora dele. Aproveitando a proximidade, encaramos a lendária fila do Pipocas Maná. Foram cerca de trinta minutos de espera, mas a recompensa veio em forma de sabor: a pipoca de camarão, acompanhada das pipocas doces, mostrou-se patrimônio à parte, valendo cada minuto da paciência exercida.


No Amarelinho, fomos recebidos calorosamente por Edmá, Assis e JB, guardiões de histórias que atravessam gerações. Entre goles de chope e memórias vivas, revivemos o tempo em que Leonel Brizola discursava da Cinelândia, a ponto de dar um terceiro nome à Praça, que originalmente se chama Praça Floriano, tem o nome mais conhecido como Cinelândia, porém nos tempos do Leonel Brizola virou “Brizolândia”, nome ainda hoje lembrado com certa reverência nostálgica. Muitas manifestações políticas rolaram por ali, as passeatas geralmente saíam da Candelária e encerravam na Cinelândia, com o Amarelinho sendo ponto certo de encontro.


Porém as narrativas não ficaram restritas à política: os flertes que animavam as mesas antes da era digital também renderam boas risadas. Como a do cliente que, ao enviar um bilhete a uma bela mulher, viu-se obrigado a fugir às pressas quando o marido dela chegou e pousou uma pistola sobre a mesa, saiu em disparada, só sendo depois alcançado pelos garçons para pagar a conta. Ou ainda o episódio da moça que, após dispensar dois rapazes que a cortejavam, alegando ser homossexual e estar esperando sua companheira, acabou, diante de um “bolo” da companheira, unindo-se a eles e formando um inesperado trisal que deixou o bar em chamas e a imaginação dos presentes em suspense sobre o desfecho da noite.


Os salões do Amarelinho também guardam memórias em suas paredes. Quadros espalhados pelo ambiente registram a passagem de antigos frequentadores ilustres, como o compositor André Filho — autor de hinos que embalaram gerações cariocas, como Cidade Maravilhosa — e João Havelange, dirigente esportivo de alcance mundial, ambos eternizados como parte da história viva da casa.


Nos bastidores, a visita às chopeiras com quatro torneiras (duas de chope claro, uma de escuro e uma cremadora) revelou o segredo da tradição: uma câmara fria, serpentinas longas e muito gelo, que tornam quase impossível que o chope não esteja na temperatura ideal. Segundo nos contaram, a casa consome em média 15 barris por dia. Hoje administrado pelo Grupo Belmonte, o Amarelinho mantém laços com sua história, pois o antigo proprietário ainda comparece diariamente, testemunhando a continuidade de um dos mais emblemáticos pontos da boemia carioca.


Os simpaticíssimos JB, Edmá e Assis nos brindaram com um gesto especial: a oferta de um exemplar do livro “O Amarelinho é a Luz da Cinelândia”, de Murilo Brasil. A obra reúne histórias saborosas e episódios marcantes da trajetória do bar, verdadeira instituição carioca. Sem revelar spoilers, apenas deixamos a recomendação: vale muito a pena adquirir e mergulhar nessa leitura, que guarda a alma boêmia e cultural da Cinelândia em cada página.

Assim, entre pipocas, chope, histórias e memórias nas paredes, o Bartrimônnio Carioca registrou mais um capítulo de sua missão: celebrar e preservar os espaços que compõem a alma e a cultura do Rio.







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