Samba, memórias e reencontro no Armazém Senado
Depois de uma pequena pausa nas “férias” de julho, o Bartrimonnio Carioca se reencontrou em peso no último sábado no Armazém Senado, um dos bares mais tradicionais do Rio, aberto em 1907. Como tantos antigos armazéns, com a chegada dos supermercados, ele precisou se reinventar como botequim, mas ainda hoje conserva alguns artigos de armazém em suas prateleiras, testemunho vivo da memória carioca.
Quem nos recebeu foi o Henrique, sócio da casa desde 1985. Atencioso e sempre simpático, conversou conosco no balcão sem largar o trabalho por um instante, num retrato perfeito do espírito hospitaleiro e incansável dos botequins.
O Armazém encontrou no samba sua maior força. Já teve espaço para vários estilos musicais, do jazz ao forró, mas foi a batucada que fez história e atraiu multidões. Grandes nomes, como Walter Alfaiate e Moacyr Luz já passaram por ali, deixando lembranças marcantes. Hoje, a roda segue viva, mantendo acesa essa chama que o bar escolheu como identidade.
Henrique contou que recebeu com surpresa (surpresa??) e grande honra a placa de Patrimônio Cultural Carioca, tendo sido o Armazém Senado um dos primeiros estabelecimentos a serem agraciados com essa distinção. O reconhecimento, que valoriza sua importância histórica e afetiva para a cidade, encheu de orgulho os proprietários, a ponto de não apenas exibirem a placa original em suas estantes, mas também reproduzirem sua imagem nos toldos da casa, tornando visível para todos a memória e o prestígio conquistados.
Henrique, de origem portuguesa, e Fernando, seu irmão e sócio, não pensam em grandes reformas: seu desejo é manter a alma da casa intocada, cuidando apenas do que for preciso para atravessar o tempo.
O samba estava marcado para as 14h, mas começou às 14h30 — pontualidade mais do que exemplar para os padrões cariocas. Entre uma música e outra, os confrades se deliciaram com tremoços, raridade que arrancou sorrisos e lembranças de botequins de antigamente.
Foi um reencontro caloroso do grupo, com casa cheia, num ambiente que mistura história, resistência e alegria. O patrimônio carioca se encontra no samba e no botequim.
Menção especial ao vizinho bar Labuta, que complementa a festa com seus petiscos e cadeiras de praia, muito úteis para descansar as pernas entre um samba e outro.

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