Bartrimonnio Carioca no IRPH — papo de patrimônio e boteco
O encontro estava marcado com o simpático Fabricio Iorio, mas, como a vida é cheia de viradas de mesa, no dia ele foi chamado para um compromisso de última hora. Quem nos recebeu foi Juliana Oakim, gerente de Proteção, Cadastro e Pesquisa do IRPH — e que presença!
Arquiteta e historiadora, Juliana abriu o baú de memórias e nos levou a uma viagem desde os anos 1990, quando se iniciou o Cadastro de Patrimônios Históricos (que culminou naquelas placas azuis que a gente adora fotografar). Depois vieram os anos 2010 e o Circuito Botequins, que mais tarde se expandiu para outros negócios tradicionais. No meio do caminho, parcerias com o Sebrae, desafios, vitórias… tudo contado com brilho nos olhos.
Ela nos contou que o Circuito Botequins começou com uma preocupação bem prática: os bares estavam fechando. Muitos, com décadas de história, não resistiam à crise. A ideia inicial era simples — reconhecer esses estabelecimentos como parte do Patrimônio Cultural Carioca para valorizar, atrair público e, quem sabe, evitar mais fechamentos. A parceria com o Sebrae era uma tentativa de que os bares melhorassem sua gestão com a consultoria.
No início, o edital só previa negócios do Centro da cidade, mas logo perceberam que essa limitação era um erro: a tradição carioca pulsa também nos bairros e no subúrbio. E mais, não eram só os bares que corriam risco. Padarias, confeitarias, armarinhos, casas de cofre e muitos outros negócios tradicionais também mereciam estar nesse mapa afetivo da cidade.
Juliana explicou que não se trata de tombamento imobiliário, mas de reconhecimento como patrimônio imaterial. O proprietário não passa a ter obrigações legais, ele pode reformar, vender ou até encerrar as atividades do negócio, mas leva o selo e a visibilidade. Em Paris, por exemplo, existe um programa parecido, mas com incentivo financeiro para os Cafés tradicionais. No Rio, por enquanto, a ajuda é no prestígio e na memória.
A conversa ainda passeou pelo Fórum Internacional na Gafieira Estudantina, onde eles conheceram o “circuito de bares” de Buenos Aires — uma troca de experiências que inspirou novas ideias.
Hoje, a condução do programa está no Gabinete do Prefeito, mas a visita abriu um canal de diálogo. Saímos de lá com a missão assumida: ajudar a indicar bares e negócios do subúrbio carioca que também merecem entrar para essa lista especial.
No fim, entre trocas de histórias e recomendações sobre bares, ficou claro que proteger o nosso patrimônio é também brindar ao que o Rio tem de mais autêntico!

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