Bartrimônnio Carioca na Casa Paladino: tradição viva desde 1906

O Bartrimônnio Carioca segue firme em sua missão de visitar todos os bares considerados patrimônio cultural do circuito botequins do Rio. A parada da vez foi na lendária Casa Paladino, aberta em 1906 e que guarda até hoje a memória viva da transição de armazém para botequim, sem nunca deixar de vender produtos típicos de armazém.

Desta vez fomos em um grupo numeroso, abrilhantado por nobres convidados, dentre eles o Viajante Cervejeiro, que trouxe sua simpatia e conhecimento etílico para engrandecer o encontro. Fomos atendidos com destreza pelo garçom Arlindo e, mais tarde, pelo garçom Genilson. Mas quem realmente acolheu nossa confraria para a conversa foi o Gerente Antônio, funcionário da casa desde os 16 anos de idade, quando chegou do Ceará para o Rio de Janeiro. Com carinho e orgulho, ele compartilhou sua história: ali aprendeu a trabalhar, concluiu seus estudos e sempre contou com o apoio do saudoso Sr. Modesto, seu primeiro patrão.

Antônio nos contou que encontra motivação diária em trabalhar na Paladino, palco de lembranças de antigos frequentadores ilustres como o presidente Juscelino Kubitschek e o rei do baião Luiz Gonzaga. Ele revelou ainda curiosidades deliciosas: os pratos do cardápio nasceram de sugestões dos próprios fregueses. No passado, apenas homens frequentavam o armazém, que entre uma compra e outra, pediam uma bebida e logo vinham as ideias: “Faz um sanduíche?” E assim surgiram os clássicos. Já as famosas omeletes nasceram do pedido de um cliente espanhol que quis uma tortilha e saiu uma omelete à moda carioca.

Com sorriso e empolgação, Antônio disse se alegrar quando vê clientes que frequentavam a casa com os pais voltarem depois com os próprios filhos, mantendo viva a tradição. E vibra quando antigos fregueses, alguns que passaram anos fora do Brasil, retornam e dizem: “a casa está igualzinha”. Inclusive no horário de funcionamento: de segundas às sextas, das 07h às 20h30min (obviamente fomos até o fim do expediente!).

Tivemos ainda a oportunidade de visitar a área da chopeira, onde o dedicado funcionário Evenílson nos mostrou o segredo do chope sempre gelado: da câmara fria à chopeira, passando pela serpentina, tudo segue por um caminho repleto de gelo – até os copos repousam mergulhados no gelo.

É claro que os clássicos da casa foram apreciados: os bolinhos de bacalhau, as omeletes e os sanduíches fizeram a alegria geral da confraria. Só não conseguimos uma “saideira por conta da casa” – a Paladino é, com justiça, o suprassumo da arte de dizer não, mesmo diante da nossa insistência.

Ainda houve interação com a mesa vizinha de frequentadores fiéis, onde o simpático Xandão nos deu a dica do Galeto 183, na Rua da Santana. Apesar do nome, o prato recomendado foi outro: o filé, servido com generosidade e a preços camaradas (segundo ele a proprietária utiliza receitas do Angu do Gomes). A sugestão foi aceita e o Galeto 183 já ficou na fila das próximas aventuras: vamos ao "sacrifício"!



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