Adega da Velha – Bom, mas faltaram histórias

Finalizando o tour do dia na Adega da Velha, um bar nordestino no coração de Botafogo. 

Criado nos anos 1960 por uma senhora portuguesa (daí o nome Adega da Velha), era um típico comércio boteco-adega luso-brasileiro, como muitos outros no Rio de Janeiro daquela época.

Nos anos 1980 foi adquirido pelo cearense Chico (o bar passou a ser conhecido por Bar do Chico, embora tenha sempre mantido o nome Adega da Velha). Chico introduziu o cardápio de comida nordestina, pelo qual o local ficou famoso. Atualmente é administrado pelo grupo do Galeto Sats.

Nota: essa transição de bares de proprietários portugueses para brasileiros oriundos da região Nordeste (principalmente do Ceará) foi muito comum no Rio de Janeiro. Ocorre que muitos dos portugueses que migraram para o Brasil e prosperaram em seus comércios, tiveram filhos aqui no Brasil, e seus filhos já gozando da prosperidade, frequentaram Universidades e seguiram outras carreiras profissionais. Quando os proprietários portugueses aposentavam, não tinham descendentes interessados em tocar o negócio e muitas vezes vendiam para algum funcionário antigo que tinha juntado uma grana ao longo do tempo de serviço, a maioria deles migrantes nordestinos, e em geral cearenses, conhecidos informalmente como "judeus brasileiros", pelo tino com negócios.

O bar é simples, mas tradicional, experimentamos a carne de sol com aipim e queijo coalho, acompanhados de chope e uma cachacinha.

Fomos alocados num canto onde estava muito calor, sem ventilação e ainda por cima havia uma incômoda goteira.

O Gerente do estabelecimento foi muito simpático, porém não conseguiu nos dar a atenção que gostaria, pois estava acumulando outra função de um funcionário ausente. Por esse motivo não foi possível ouvir mais histórias ou curiosidades das antigas. Mas não passou em branco.

Nos chamou atenção o fato de que logo acima da placa de Patrimônio Cultural Carioca, havia uma outra placa homenageando o escritor Paulo Thiago de Mello, um boêmio entusiasta (como nós) da cultura de boteco e assíduo frequentador do bar. Escreveu o livro "memória afetiva do botequim carioca". Nos foi contado que quando ele faleceu em 2022, seus amigos depositaram suas cinzas nas raízes da árvore em frente ao Adega da Velha.

Outra curiosidade interessante, o bar fica na Rua Paulo Barreto, que poucos sabem ser o verdadeiro nome do Jornalista João do Rio, que além de ser um imortal da Academia Brasileira de Letras, marcou história na cidade com suas crônicas.

Na hora da foto com a placa de Patrimônio Cultural Carioca, permitiram com muita simpatia que tirássemos ela da parede e fizéssemos a foto na rua com a placa nas nossas mãos (só para constar, a placa foi devolvida após a foto).



Presentes:

Antonio Velho

João Paulo

Jane e Luciano

Nat e Mosquito

Fatima Mafra e Lucena

Aline, Diogo e Hugo Madeira

Elaine e Mário

Júlia Nômade


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bar Madrid - pode ainda não ser Patrimônio Cultural Carioca, mas já é Bartrimonnio Carioca!

Baixo Gago – cerveja gelada, boa comida, cultura e acolhimento

Da tensão à morcela: Bartrimonnio na Adega Pérola